Como tudo começou?

Ivan e Regina Inauguração Expo SP Ivan e Regina tratada Inauguração SP 2012

Entenda a trajetória de Ivan Izzo ao lado de Regina Duarte. É uma história simples. Talvez parecida com a de milhares de outros fãs da eterna “Namoradinha do Brasil”. Mas que não se encerrou com um autógrafo.  

 “Minha história com Regina Duarte inicia-se em 1979, quando o programa Malu-Mulher foi ao ar. Eu tinha apenas 5 anos de idade, mas me lembro como se fosse hoje da noite de estréia do programa.

Minha mãe estava corrigindo provas na sala de casa e ligou a televisão por volta das 22 horas. Eu estava ao lado dela, quietinho, desenhando e aproveitando a oportunidade rara de estar acordado até tarde da noite. Percebi que minha mãe ficou compenetrada no que estava passando na TV e sentei-me ao seu lado.

 Sempre fui muito observador e como fui uma criança criada no meio de adultos, pois sou o filho mais velho, o primeiro neto, o primeiro sobrinho, adorava ouvir histórias dos adultos e neste dia notei que minha mãe se emocionou muito com o programa.

Isso se repetiu ao longo de muitas quintas-feiras do ano de 1979, e aos poucos eu vi que minha mãe estava se tornando muito parecida com a moça da televisão. E eu adorava sua atitude.

Muitas vezes eu perguntava a minha mãe: “- Mãe, hoje tem Malu-Maravilha?” E ela pacientemente respondia: – “Não é Malu-Maravilha, Ivanzinho, o nome correto é Malu-Mulher.”

Mas para mim aquela moça do programa parecia a mulher-maravilha, pois conseguia tocar as pessoas e de alguma forma colaborar com a vida delas. Muitas noites minha mãe deixava apenas que eu assistisse a abertura do programa, acredito que o motivo fosse o tema abordado naquela noite, mas para mim ouvir a música “Começar de Novo” e ver o rosto da “Malu-Maravilha” era o máximo!

Lógico que todo esse sentimento eu pude entender com o passar dos anos, pois com 5 anos era apenas a sensação!

 Quando Regina Duarte estava vivendo a Porcina, de Roque Santeiro, eu estava com 11 anos de idade e comecei a colecionar tudo o que saía sobre ela, nos jornais e revistas. Era a febre Porcina!

Como todo admirador, faltava-me um autógrafo de Regina e eu comecei a pensar de que forma poderia conseguí-lo. Poderia ter mandado uma carta para a TV Globo, mas não tinha a certeza de que a carta chegaria até Regina, nem se seria lida.

Foi então que eu tive uma idéia: que tal procurar na Lista Telefônica o endereço de algum parente próximo, alguém que pudesse intermediar esse meu pedido.

O número de pessoas com sobrenome Duarte era imenso, mas para minha surpresa achei o nome de sua mãe: Dulce Blois Duarte.

O endereço, eu não me esqueço até hoje, era Rua Guatapará, no bairro da Conceição em São Paulo. Me enchi de coragem e disquei para lá. Lembro que tremia tanto que pensei em desligar o telefone caso alguém atendesse. Eis que atendeu uma voz de mulher.

– Alô?

– É…por favor, dona Dulce está?

– Pois não, é ela mesma que está falando.

Eu gelei. Mas tomei coragem e fiz o meu pedido.

– Por favor, meu nome é Ivan, eu moro em São Paulo e sou grande fã do trabalho de sua filha, a Regina. Eu gostaria muito de saber como posso conseguir um autógrafo dela.

Acredito que ela percebeu o meu nervosismo e também que se tratava de um pré adolescente, então me respondeu com muita delicadeza.

– Como é mesmo o seu nome?

– Ivan

– Olha, Ivan, a Regina está no Rio de Janeiro trabalhando. Eu devo ir para a casa dela dentro de alguns dias. Vamos fazer o seguinte: você me passa o seu telefone, eu peço o autógrafo a ela e assim que eu voltar a São Paulo eu lhe comunico, está bem assim?

– Nossa ! Muito obrigado… está bem sim! A senhora pode anotar o número?

E assim foi feito. Eu passei o número do telefone da minha casa e lembro que fiquei tão feliz, tão contente, que chorei. Dois meses se passaram desde o tal telefonema e um dia quando eu cheguei da escola, minha mãe me disse que uma senhora havia ligado naquela manhã e pediu para que eu entrasse em contato.

– Que senhora é essa Ivan?  É a professora particular? Mas ela disse Dulce… sua professora não é Dorotéia?

Deixei minha mãe falando sozinha e corri para o telefone. Chamou, chamou e nada. Algum tempo depois, liguei de novo e ela atendeu.

– Oi dona Dulce, aqui é o Ivan. A senhora ligou e eu estava na escola.

– Oi Ivan, tudo bem? A sua foto autografada está aqui comigo. Você quer que envie pelo correio ou prefere vir buscar?

Foto autografada? Pensei. Meu Deus, era muito melhor do que eu havia pedido. Uma ansiedade maluca tomou conta de mim. Foi quando eu decidi:

– Posso ir buscar dona Dulce, se não for lhe incomodar.

Marcamos para que eu fosse buscar a foto no dia seguinte. Quase não dormi naquela noite. Minha mãe não queria que eu fosse sozinho, queria me levar, mas eu disse que preferia ir sozinho e ela acabou cedendo.

Levei comigo toda minha coleção de recortes e fotos que deveria ter cerca de 1000 fotos. Era uma caixa grande e pesada, mas lá fui eu.

Morávamos em Santana nessa época e eu tinha que ir da estação Santana do metrô a estação Conceição. Eram vinte e uma estações. Eu estava tão ansioso que parecia uma viagem para outro estado.

Cheguei na porta do edifício e eis que para minha surpresa vejo a dona Dulce saindo do prédio com um carrinho de feira. Eu a reconheci pelas fotos de jornais e decidi chamá-la.

– Dona Dulce?

– (surpresa) Pois não?

– Eu sou o Ivan.

– Ah, como vai? Veio buscar a foto não é? Eu estava indo fazer umas comprinhas aqui perto. Mas não tem problema. Você quer subir ?

Imagina se eu iria perder a oportunidade de passar mais alguns minutos com a mãe de Regina Duarte. Minhas pernas estavam bambas e a voz saia com dificuldade pela minha garganta. Lembro que no elevador, ela notou a pesada caixa que eu estava trazendo e perguntou:

– O que você traz aí? São coisas da Regina?

– São sim. É a minha coleção.

Entramos no apartamento, que ficava no último andar. Eu me sentei em uma cadeira da mesa que havia na pequena sala e dona Dulce foi buscar a foto.

        –   Pronto, aqui está.

Na foto estava escrito assim: “Para o Ivan com um abraço carinhoso da Regina Duarte.” Eu fiquei sem palavras. Meu coração batia num ritmo todo descompassado.

–      Posso ver sua caixa de recortes? perguntou-me dona Dulce.

– Claro que sim !

Quando dona Dulce abriu a caixa ficou boquiaberta com a quantidade de materias que eu colecionava.

– Nossa! Que maravilha ! Olha, tudo organizado. Logo que a Regina começou a dar os primeiros passos ainda lá em Campinas, no Teatro amador eu comecei a guardar tudo o que saía sobre ela e colar em um caderninho. Fiz isso durante mais de dez anos. Puxa, Ivan, isso é muito especial. Espere aqui que eu vou lhe mostrar uma coisa.

Foi quando retornou com vários álbuns antigos de fotos de Regina desde neném, sua família, as primeiras fotos para publicidade. Também me mostrou uns cadernos onde guardava tudo o que era publicado sobre Regina desde que ela iniciou sua carreira.

Ficamos boa parte da tarde conversando. Ela me serviu suco de laranja com bolo, e foi muito agradável. Dona Dulce era uma pessoa tranquila, falava pausadamente e seu semblante era suave e delicado.

 Estava ficando tarde e eu estava preocupado com o horário de voltar para casa, quando ela me deu de presente, uma foto da Regina de 1974, em preto e branco da época de Fogo Sobre Terra.

Nos despedimos e ficou a promessa de quando a Regina estivesse em São Paulo, eu seria apresentado a ela, na primeira oportunidade.

No Natal de 1988, enviei um cartão a ‘Tia Dulce’, como passei a chamá-la e nasceu assim nossa amizade. Passamos a trocar cartões de aniversário, páscoa, natal e algumas cartas que guardo até hoje comigo. Para mim, restava aguardar o dia em que conheceria de perto Regina Blois Duarte.

A promessa que Tia Dulce me fez quando eu tinha 11 anos, se cumpriu em 1991, quando eu estava com 17 anos de idade. Naquela época, eu estudava à noite e me lembro como se fosse hoje.

Estava na segunda aula, e vi meu pai entrando na sala de aula, todo esbaforido, pedindo licença ao professor para que me liberasse urgentemente.

 Eu saí da aula sem entender nada, quando meu pai me disse apressadamente:

 “- A mãe da Regina Duarte ligou para casa agora pouco e hoje tem um ensaio aberto da peça dela para amigos e familiares e ela quer muito que você esteja presente. Tem dois convites em seu nome.”

Fiquei completamente paralisado e me lembro que troquei de roupa dentro do carro à caminho do teatro. Minha mãe se lembrou de pegar um presente que eu estava preparando para entregar a Regina no dia da estréia: era um quadro de seu rosto, que eu havia feito utilizando a técnica de pontilhismo que aprendi na escola Panamericana de Arte. São milhares de pontinhos que juntos formam luz e sombra. Hoje existem softwares que executam isso com precisão, mas naquela época, era feito a mão e exigia paciência.

Chegando no Teatro Anchieta, que estava com o saguão lotado, logo avistei a Tia Dulce e o Felipe Linck, primo de Regina, que estava morando com a Tia Dulce na época. Ele vinha do Sul para estudar teatro em São Paulo.

 Assim que me aproximei, Tia Dulce se espantou e demorou um pouco a me reconhecer:

– Boa noite, eu sou o Ivan, meus pais me trouxeram assim que receberam seu telefonema.

– Nossa! Como você cresceu! Que bom que vieram, você vai sentar perto de mim e depois do espetáculo vou te levar para falar com a Regina. Essa moça é sua mãe? Muito prazer, meu nome é Dulce.

Eu estava muito emocionado, me lembro que antes do espetáculo começar o diretor veio falar com a platéia:

– Boa noite a todos. Gostaria de agradecer a presença de vocês e dizer que hoje é nosso último ensaio antes da estréia, portanto se houver a necessidade de alguma interrupção, ou se precisar repetir alguma cena, espero que não prejudique o entendimento da peça.

Estava achando todo aquele clima o máximo e como estava estudando Teatro, para mim aquela experiência era indescritível.

Ao som do terceiro sinal, meu coração parecia que ia saltar pela boca. Ao abrir das cortinas, lembro-me do cheiro, da sensação, da atmosfera medieval, estava encantado com o cenário, a iluminação e aguardava ansiosamente pela entrada de Regina.

Quando a avistei pela primeira vez, frágil, pequena e com aqueles enormes olhos brilhantes, comecei a chorar e foi difícil parar. Foi a melhor sensação da minha vida!

Através da máscara do personagem, pude enxergar a atriz pela qual fui hipnotizado desde os cinco anos de idade. Minha mãe segurava a minha mão, que estava petrificada de tão fria.

Lembro-me que ao término do espetáculo, no agradecimento, Regina entrava sem a peruca de Segismundo, com seus cabelos presos em uma trança e ela se posicionava no centro do palco e vinha ao proscênio agradecer.

  Nessa hora ela olhou em direção a fileira onde estávamos e deve ter avistado a Tia Dulce e seus familiares. Quase morri de emoção!

Quando fecharam-se as cortinas, Tia Dulce falou:

–  Vamos descer ao camarim? A gente espera ela dar atenção as pessoas e você fica por último.

E assim foi feito. Quando Regina saiu do camarim, haviam muitas pessoas querendo falar com ela e eu apenas ouvia: “- Gostou? Ah, obrigada…que bom !”

Ao ouvir a voz de Regina, minhas pernas ficaram bambas e eu disse a minha mãe que talvez fosse melhor irmos embora. Ela me pediu calma e disse-me que estava  prestes a realizar meu sonho. Mas eu e estava uma pilha de nervos, nunca em toda a minha vida havia me sentido daquela maneira.

Quando as pessoas foram embora e restaram apenas alguns familiares, a Tia Dulce me pegou pelas mãos e disse:

– Vamos, agora é um bom momento!

Chegamos bem perto de Regina, que se virou e disse:

– Oi, mãe… e aí o que você achou? Foi bom o ensaio, não foi?

– Regina, esse aqui é o Ivan, eu gostaria muito que você o conhecesse.

Nesse momento, comecei a chorar compulsivamente e as palavras não saíam. Eu queria dizer tanto…tinha ensaiado na minha mente tantas vezes esse encontro. Mas na hora tudo o que eu disse foi:

– Obrigado! Você é muito bonita!

E entreguei a Regina o quadro que havia feito. Quando ela viu o quadro, ficou surpresa e me perguntou se era eu quem havia feito, eu respondi afirmativamente com a cabeça, enxugando o rosto e ela disse:

– Vem cá!

Me deu um grande abraço e me convidou para entrar no camarim. Colocou o quadro na bancada e começou a me perguntar como eu havia conhecido sua mãe, o que eu havia achado do espetáculo, se era clara a proposta, se eu havia entendido…

Eu fui me acalmando e consegui, sem gaguejar, responder as perguntas de Regina que, para minha surpresa pegou um pedaço de papel e anotou seu endereço e telefone.

– “Olha, aqui está meu endereço, eu gostaria muito de convidá-lo para jantar na minha casa na terça-feira que vem. Assim, a gente pode se conhecer melhor. O que você acha? Só te peço para não divulgar nem o endereço, nem o telefone, ok?”

Eu compareci a estréia do espetáculo que foi uns dois dias depois e fui na terça-feira da semana seguinte jantar na casa de Regina, que me recebeu de braços abertos e com a maior simplicidade do mundo.

Ela morava em Alphaville, e como eu ainda não dirigia, meus pais me deixaram na porta e depois vieram me buscar.

Neste dia eu conheci a Zezé, que se tornou também uma amiga com o passar do tempo. A Zezé era o braço direito e fiel companheira de Regina há anos. Ela havia preparado uma comidinha deliciosa e me lembro que Regina bebia chá durante o jantar, para preservar a voz.

A encenação do espetáculo A vida é sonho de 1991 foi uma das coisas mais belas que já vi em toda a minha vida. Essa peça foi fundamental na minha decisão em me tornar ator, terminar a Escola de Teatro e ingressar no mundo das artes.

Perdi a conta de quantas vezes assisti ao espetáculo e torci muito para que o único ator da peça desistisse ou fosse chamado para outro trabalho, quem sabe assim eu poderia fazer um teste. Afinal, já havia decorado toda a marcação dele durante o espetáculo. (risos) Meu Deus, quanta impulsividade ! Quanta pretensão! Aos 17 anos a gente acha que pode tudo!

Nossa história começou assim.

 Poderia ter terminado aí, afinal eu era apenas mais um rosto na imensa legião de fãs número 01 de Regina. Mas não, rendeu frutos e transformou-se em uma bonita amizade.

 Quando Regina completou 40 anos de carreira, em 2001, comecei a idealizar dois projetos: uma exposição fotográfica e a biografia de Regina. Chegamos a conversar a respeito, mas os compromissos acabaram por adiar os projetos. Para o livro, Regina dizia precisar de um certo silêncio, uma pausa em meio há tanta solicitação e correria.

Não é fácil acompanhar o pique de Regina, ela faz mil coisas ao mesmo tempo, tem uma energia invejável e sempre está engajada em algo, vive correndo.Ela literalmente agarra o tempo, como se pudesse fazer o dia ter mais do que 24 horas.

 Oito anos depois, em junho de 2009, apresentei a idéia do projeto da exposição para ela e o Eduardo, seu marido. Depois de algumas considerações e esclarecimentos, Regina disse que era um projeto grande e que não seria fácil, mas que topava.

Comecei a me organizar internamente para absorver o projeto e comecei a formatar a equipe. Me reuni com uma porção de gente e notei que todos ficavam muito empolgados com o projeto, que nunca teve o cunho de divulgação de uma celebridade, mas sim mostrar a trajetória de uma atriz, cuja história se funde com a evolução da televisão brasileira e como os seus trabalhos refletiram na sociedade ao longo de sua carreira.

O objetivo da exposição, sempre foi educacional, procurando abranger estudantes de Comunicação, Jornalismo, Artes e Ciências Sociais. Com o projeto estruturado e a equipe formatada, obtivemos a aprovação nas leis de incentivo a cultura e iniciamos nossos trabalhos.

Regina vibrou com o andamento do projeto e jamais esteve alheia em nenhuma etapa do processo, muito pelo contrário, passou a reunir acervo, destinar objetos que seriam para a exposição, indicou profissionais para a assessoria jurídica, contribuiu muito opinando sobre o cenário, as escolhas de imagens, etc.

O processo de pesquisa e organização de acervo para a exposição reacendeu em mim o desejo de escrever o livro sobre a história de Regina.

Como base para a minha pesquisa, Regina aceitou meu pedido de gravar sua trajetória em vídeo, o que resultou em três dias de gravações de um depoimento muito bonito, sincero e emocionado.

No primeiro dia de gravação, enquanto Regina se maquiava, eu lhe disse que estava escrevendo um livro sobre sua trajetória, uma biografia e que mostraria os primeiros capítulos a ela em breve para sua autorização. Ela me olhou seriamente, ficou alguns segundos em silêncio e disse: “Ok”.

 Ao longo de dois anos e meio o processo de feitura dessa biografia foi assim:  escrevia uma parte, mandava para Regina, ela revisava, acrescentava, às vezes modificava e aos poucos foi tomando corpo. Foi uma parceria iluminada. Regina sempre gentil e educada, jamais impôs sua visão sobre qualquer assunto retratado nesta biografia. Nunca ouvi dela algo do tipo: isso eu não gostei ou não quero que fale sobre isso. Muito pelo contrário, sua generosidade me deu total liberdade para pesquisar e escrever.

Fui me envolvendo cada vez mais, li tudo o que se pode imaginar relacionado à televisão, cinema e teatro, nestes últimos quarenta, cinquenta anos. Como ator, este foi meu alimento durante este período em que me afastei do meu ofício para me dedicar a esta árdua e dificílima tarefa que é escrever.

  Foi uma verdadeira escola para mim. Quantas pessoas interessantes descobri ao longo desses vinte e oito meses, quanta história… De camareira à diretor, da bilheteria do teatro à produção de um espetáculo. 

A cada vinte o trinta páginas, eu mandava para Regina, que revisava, acrescentava, às vezes modificava e o processo foi tomando corpo. Foi uma parceria iluminada. Regina sempre muito gentil e educada, jamais impôs sua visão sobre qualquer assunto retratado nesta biografia. Nunca ouvi dela algo do tipo: isso eu não gostei ou não quero que fale sobre isso. Muito pelo contrário, sua generosidade me deu total liberdade para pesquisar e escrever.

Teve um período em que trabalhamos juntos, em encontros diários de duas, quatro, seis , oito horas… sem parar… envoltos em memórias, partilhando momentos de alegria, reflexão, arrependimentos, culpa… 

Devo confessar que Tia Dulce me ajudou (e muito!) nas pesquisas para este livro. Desde o início da carreira de Regina, ainda em Campinas, que dona Dulce guardou tudo o que era publicado sobre a filha. Fez esse incrível, minucioso e delicado trabalho por quinze anos! De 1961 a 1976. Eu me lembrei dessa coleção que só havia visto uma vez, aos onze anos de idade. Não foi fácil para Regina achar essa preciosidade. Mas conseguimos !

  Agradeço de todo o meu coração, mais uma vez a querida Tia Dulce por ter feito esse ‘clipping’ maravilhoso.

O leitor encontrará neste livro, a minha versão da vida de Regina Duarte, baseada em um fragmento de pesquisa específico. Através de artigos, reportagens, entrevistas, fotografias, documentos, críticas e notas de jornais e revistas, e do acervo pessoal da atriz, foi possível compor a trajetória de Regina, somados aos depoimentos dos colegas de profissão, amigos e familiares.

Falar de cinquenta anos de carreira de uma atriz é como discorrer sobre  a criação do universo, é extenso e complexo, difícil de ser contemplado por inteiro, a um só tempo. É assunto que não acaba mais…

 Só tenho que agradecer a Regina pela confiança em mim depositada e por sua extrema generosidade e carinho.”

Ivan aos 12 anos e Regina

 

Por IVAN IZZO, que sonhou um dia em retribuir toda entrega artística de Regina Duarte fazendo uma homenagem a ela e seu público. E fez.

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5 thoughts on “Como tudo começou?

  1. linda sua história, eu já conhecia há tempos rsrsrs , mas é sempre bom recorda-lá… quero muito ler o livro. bjssss

  2. Leia a história de 5 vezes! É comovente até às lágrimas! Parabéns Ivan! Eu quero ler o livro….Pra mim, vai ser muito difícil obtê-lo livro !Beijos

  3. muito emocionante sua historia, me indentifico bastante, pois sou fã da glorinha (pires), parabens, já quero ler o livro!!

  4. Ivan, estou emocionada com sua história! Realmente uma amizade linda que vocês construíram. E a Regina? Que ser humano incrível também, pois tem que ser muito humilde e generosa para compartilhar com um ” fã” um pouco da sua vida. Nem todos os artistas dão essa abertura . Ela percebeu que havia em você sinceridade e deu no que deu, esse projeto lindo. Estou ansiosa para ler o livro, porque admiro muito a Regina. Acompanho a sua trajetória e simplesmente “amo” suas personagens. Eu conheci a Regina pessoalmente ano passado, durante a peça Raimunda , Raimunda, no Rj! Foi uma emoção indescritível! Ela é D+! Você realmente é uma pessoa de sorte. Parabéns e muito sucesso! bjs

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